Homens de verdade não seguem regras. Eles criam as suas e arcam com as porras das consequências

Homens de verdade não seguem regras. Eles criam as suas e arcam com as porras das consequências

Essa frase me soa como o fantasma de alguma mulher louca que eu conheci, sussurrando no meu ouvido enquanto o uísque barato desce queimando. Ela ria desse jeito, sabe? Como se soubesse que o mundo era uma piada e nós éramos a porra da piada principal. Tinha um charuto no canto da boca, roubado de mim, a fumaça dançando ao redor do rosto dela como um véu de anjo sujo.

Eu olho em volta neste quarto. Cinzas no chão, garrafas vazias como soldados caídos. Cada uma delas uma regra que eu quebrei, uma noite que eu mandei pro inferno. E os homens lá fora? Ah, os homens… eles apertam as gravatas como se fossem coleiras, sorriem para os chefes, seguem o GPS da vida que alguém programou pra eles. Casa, carro, dois filhos e um cachorro que caga no tapete persa. Eles acham que isso é liberdade. Acham que são lobos. Não passam de poodles bem-tosados.

Criar as próprias regras não é um post motivacional no Instagram. É acordar com o gosto da derrota na boca e mesmo assim acender a porra de um cigarro e rir na cara do espelho. É se enroscar com mulheres que têm mais rachaduras na alma do que você, e em vez de tentar consertá-las, vocês apenas sangram juntos. É uma dança no escuro, tropeçando, caindo, fodendo tudo, mas pelo menos a música é sua. Você escolheu a merda da música.

É fácil falar em “arcar com as consequências” quando a consequência é um bônus no fim do ano. Quero ver arcar com o silêncio do telefone, com o olhar de pena do seu senhorio, com o vazio do outro lado da cama que antes era ocupado por um caos maravilhoso que decidiu ir embora. A consequência real é a solidão que te rói os ossos, o uísque que já não faz efeito, a certeza de que você apostou tudo num cavalo manco.

Mas quer saber? Eu olho pra fumaça do meu charuto subindo, pro último gole de veneno no copo, e não troco essa merda. Não troco pela vida morna, pelas regras de plástico, pelos sorrisos falsos. A maioria quer um porto seguro. Eu? Eu aprendi a nadar na tempestade. Ou a afundar com alguma dignidade. No fim, é a mesma coisa. É apenas o seu jeito de dizer “não” para o mundo inteiro. E isso, meu amigo, vale cada porra de gole e cada ressaca.

 

Referências:

  • Nietzsche, Friedrich. Assim Falou Zaratustra. Uma exploração da ideia do “Übermensch” (Além-do-Homem), que cria seus próprios valores.
  • Sartre, Jean-Paul. O Existencialismo é um Humanismo. Apresenta a ideia de que a existência precede a essência e que somos condenados a ser livres, responsáveis por nossas próprias escolhas.
  • Fante, John. Pergunte ao Pó. A história de Arturo Bandini, um escritor lutando contra a pobreza, a fome e seus próprios demônios em Los Angeles, um precursor espiritual de muito do que Bukowski escreveria.

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