Resenha do Livro “A Guerra da Arte: Supere os Bloqueios e Vença Suas Batalhas Interiores de Criatividade” – O Sangue nas Teclas e a Maldita Resistência

Resenha do Livro “A Guerra da Arte: Supere os Bloqueios e Vença Suas Batalhas Interiores de Criatividade” – O Sangue nas Teclas e a Maldita Resistência

Sabe, eu estava aqui olhando para a tela em branco. Ela me encarava de volta como um cobrador de dívidas numa manhã de segunda-feira. Foi aí que peguei de novo o livro do Steven Pressfield, “A Guerra da Arte: Supere os Bloqueios e Vença Suas Batalhas Interiores de Criatividade”. Vou te falar uma coisa: eu gostei dessa droga. É um soco seco, sem gelo, direto no queixo de quem gosta de dar desculpas.

Pressfield não está aqui para passar a mão na sua cabeça. Ele não é o seu terapeuta. Ele é o cara que te joga um balde de água gelada enquanto você dorme o sono dos amadores. O livro é dividido em três atos de pura carnificina psicológica. Primeiro, ele define o inimigo. Depois, ele te mostra como virar profissional. E, por fim, ele entra num papo de anjos e musas que, para um pessimista como eu, soa como um delírio lisérgico, mas que faz um sentido desgraçado quando você está sozinho no escuro da criação.

O Inimigo Tem Nome: Resistência

A grande sacada do Pressfield é dar nome aos bois. Ele chama aquela preguiça, aquele medo de fracassar e até aquela vontade súbita de limpar o filtro da cafetina de Resistência. Segundo ele, a Resistência é a força mais tóxica do universo. Ela não dorme, não descansa e seu único objetivo é garantir que você morra com sua música ainda dentro de você.

Segundo o autor vivemos duas vidas: a que vivemos e a não vivida que existe dentro de nós. No meio, está a Resistência. É como o Agente Smith do Matrix — ela está em todo lugar, pronta para te impedir de ver a verdade. Ela usa o medo da rejeição para te paralisar. Eu já senti isso. Você já sentiu. É aquela voz que diz: “Quem é você para escrever isso? Vai tomar uma cerveja”.

Do Amador ao Profissional (Ou: Como Parar de Ser um Merda)

Na segunda pare, a coisa fica séria. Pressfield diferencia o amador do profissional. O amador é o cara que joga por diversão, que espera a “inspiração” chegar como se fosse uma encomenda do iFood. O profissional? O profissional bate o cartão. Ele senta a bunda na cadeira, faça chuva ou faça sol, com resaca ou sem, e escreve.

O autor serviu no Corpo de Fuzileiros Navais, e isso transparece em cada parágrafo. Para ele, a criatividade é uma operação militar. Se você não encarar seu rascunho como uma trincheira, você já perdeu. Nas resenhas sobre o livro na internet muitos leitores destacam esse “chacoalhão” que o livro dá. É sobre parar de tratar seu talento como algo sagrado e intocável e começar a tratá-lo como um trabalho braçal. Tipo carregar saco de cimento, mas com palavras.

O Lado Negro e a Metafísica Barata?

Agora, vamos ser honestos. Nem tudo é perfeito. A terceira parte do livro, “O Reino Superior”, é onde o Pressfield solta a mão do realismo e vai abraçar árvores. Ele fala de Musas, anjos e forças abstratas que nos ajudam quando nos comprometemos com o trabalho. Essa parte causa em alguns momentos dá um certo “comichão”. É meio difícil engolir essa visão mística se você é do tipo que acredita mais em cafeína do que em anjos.

E tem o ponto que realmente me deixou com um gosto amargo na boca. Em alguns trechos, Pressfield sugere que condições como TDAH e depressão são apenas invenções de marketing ou formas de Resistência. No Goodreads e no Reddit, há críticas pesadas sobre isso. É perigoso e ignorante dizer que um desequilíbrio químico é só “falta de vontade”. Nem todo mundo é um fuzileiro naval neurotípico, sabe? Às vezes, o buraco é mais embaixo.

Veredito: É Guerra, Baby

Apesar dessas derrapadas ideológicas, “A Guerra da Arte” é um livro necessário. Ele te faz sentir vergonha de estar parado. Ele te olha nos olhos e pergunta: “Você vai deixar o medo ganhar de novo?”. É como aquele filme do Rocky: você apanha, apanha, mas no final, se você continuar batendo nas teclas, algo sai.

Eu gostei do livro porque ele não tem frescura. Ele é cru. É Bukowski com um toque de estratégia militar. Se você quer parar de procrastinar e começar a produzir algo que preste, esse livro é o seu mapa de guerra. Mas ó, leia com um pé atrás quando ele começar a falar de cura espiritual para problemas clínicos. Use o que serve, jogue fora o lixo e, pelo amor de Deus, vá trabalhar. 😉

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