O Truque Mental de Abubakar: Como um Velho de 83 Anos Desafiou a Morte
A história visceral do imã que escondeu 262 cristãos de um massacre na Nigéria, provando que o verdadeiro heroísmo desafia o ódio.
O cenário é Plateau, na Nigéria. Junho de 2018. O ar fedia a pólvora, suor e cinzas. Homens armados avançavam sobre a vila de Nghar como um enxame de gafanhotos famintos. Tensão visceral, crua. Imagine a cena de The Walking Dead, só que os zumbis aqui são homens cegos pela fúria, com o dedo tremendo no gatilho das AK-47. Duzentos e sessenta e dois cristãos, correndo feito gado marcado pro matadouro. E onde eles encontram refúgio? No lugar mais improvável do mundo: a casa e a mesquita de Abubakar Abdullahi. Um imã muçulmano. Oitenta e três anos nas costas.
Você e eu, na nossa covardia civilizada, teríamos trancado a porta e apagado a luz. Mas a mente de Abubakar não. Ele chutou o balde da lógica de sobrevivência. Não perguntou a que deus aquela gente rezava. Apenas abriu as portas. E quando a milícia chegou, babando ódio e exigindo a carne fresca, o velho não recuou.
Ele não tinha um colete à prova de balas ou o martelo do Thor. Tinha só o próprio peito enrugado. O velho se plantou no batente da porta. Como o Mestre Yoda, ele usou a mente, dobrando a realidade. Olhou fundo na alma podre dos assassinos e lançou um truque mental Jedi perfeito. Mentiu, com a espinha ereta:
“Todos aqui são muçulmanos”.
E os caras? Compraram a ilusão. Engoliram a seco e deram meia-volta. A morte saiu de lá de mãos vazias.
No fim das contas, a galera do Departamento de Estado americano mandou pra ele o tal do International Religious Freedom Award. Uma estatueta de vitrine, muitos sorrisos. E aqui entra a nossa ironia, aquele gosto de fel que não sai da boca: o velho provou que a fé se mede pela coragem de proteger o próximo, sim. Mas a tragédia real, meus amigos, é que a psicologia humana não tem salvação. O mundo bateu palmas, tirou a foto e, no dia seguinte, a barbárie continuou engolindo a Nigéria inteira. O prêmio enferruja, as mesmas divisões continuam matando e a maioria desses heróis acaba no esquecimento, morrendo só, no quarto de um bairro marginal de Hollywood—ou no silêncio poeirento de Plateau. O indivíduo pode até ser nobre, mas a humanidade, ah… essa continua uma piada que já não tem a menor graça.

